Você sabe como reagir à situações de estresse do cotidiano?

Vim passar o fim de semana com minha família em Campos do Jordão. Descobri que feriado de Corpus Christi em Campos do Jordão é como Reveillon em Copacabana… Uma cidade de 50 mil habitantes, que recebe mais de 250 mil pessoas para o feriado, baladas, muito chopp, muita música, muito trânsito, muita gente, na maioria paulistanos com algum dinheiro e pouca educação.

Já no trânsito, uma hora para dirigir 10 km até o centro, uma fila de 3 ônibus de turismo resolveu estacionar e literalmente parar o trânsito, ao mesmo tempo um motorista de lá de trás da fila ultrapassou a fila toda pela esquerda, ignorando que todos à sua frente estavam na mesma situação de espera. Outros motoristas se enfureceram. O trânsito parou completamente.

No caminho pra Campos eu vinha ouvindo um dos meus audiobooks. A autora mencionava Michelangelo, o escultor de David, que quando questionado sobre como tamanha beleza pode ser esculpida, simplesmente disse que David estava lá, dentro do mármore, ele apenas tirara o excesso.

Pensei que aquele motorista também deveria ter um David dentro dele, um mármore pouco esculpido, com excessos…
Rudolf Steiner, um homem liberto do século passado e um dos meus autores preferidos, ensina que o ser humano não tem apenas 5 sentidos, mas 12. Dentre os sentidos chamados superiores está o sentido do “eu alheio”, que é a capacidade de perceber a outra pessoa, suas necessidades, seus limites.

O sentido do eu alheio se desenvolve a partir de um sentido primário, o tato. Este último se desenvolve quando a criança é amamentada no peito, e durante os primeiros anos experiencia o tato dos objetos e fibras naturais, como pedra, madeira, lã… Penso que hoje em dia cada vez menos os pequenos desenvolvem esse tato primário, e por conseguinte desenvolvem pouco o tato no convívio social e pouco percebem os outros.

O motorista que furou a fila percebeu o que fez e deu um jeito de manobrar e voltar pro seu lugar. Um pedacinho do mármore talvez tenha se esculpido.

Todos os acontecimentos da nossa vida são modos como a divina inteligência encontra pra nos esculpir e ajudar a vir à tona em cada um o seu melhor potencial.

Aprenda com as camélias como reagir em situações desafiadoras da vida

 

Mais tarde, no hotel, percebemos um enorme arbusto de camélias no jardim. Uma linda camélia branca, bem aberta e de muitas pétalas me fez lembrar o nosso chakra da coroa, puro e com mil pétalas nos conectando com o Criador. Fiquei algum tempo admirando o arbusto.

Havia muitas flores no chão, despetaladas, outras se abrindo, outras em botão, umas bem abertas, outras nem tanto, umas mais brancas, outras rosas, umas com as pétalas regularmente simétricas, outras nem tanto, mas todas absolutamente perfeitas, na perfeição da natureza.

Pensei nos seres humanos como as camélias, em botão, lá dentro trazendo a informação da flor perfeita, sujeitos às interpéries do tempo, à possibilidade ou não de se abrirem totalmente.

Nesse feriado com tanta gente, enfrentando algumas filas e alguns empurrões, olhei pra cada pessoa pensando nas camélias, sabendo que Deus está fluindo pela vida de cada um, com vento, chuva, tempestade, calor, forçando o botão a se abrir, pra um dia, perto ou longe, desabrochar a flor.

Quando vivo assim, sinto que a mágica acontece. Nada me incomoda, nada tira a minha paz, pois assim eu escolho, e a calma interna se faz externa também, irradiando às pessoas à minha volta.

 

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